sábado, fevereiro 23

Zeca Afonso, 2.8.29 - 23.2.87

E este blog não se coíbe de cantar

QUAL ESTADO SOCIAL QUAL CARAPUÇA ou O SONHO COMANDA A VIDA

Feliz ou infelizmente, o “estado social” não existe! É de difícil configuração e o tema torna-se numa esperançosa falácia quando justifica debates, fomentando a mais absoluta “diarreia cerebral”.

Aquilo a que se chama “estado social” deriva da incapacidade daqueles que, supostamente mais habilitados, procuraram criar um conjunto de convenções para gerir o que é de todos, conseguindo «apenas» melhor posicionarem-se no xadrez civilizacional moderno, fazendo colapsar o sistema com o dinheiro que não era deles.

Este é o modelo que, inacreditavelmente (até eu fico com dúvidas) mais nos faz aproximar da estratificação social da monarquia e que inspira, dia após dia, um cada vez maior número de cidadãos desesperados a compararem o sistema político do seu país com o de outros, deixando-se acreditar que pelo menos os reis tinham sangue azul e tinham nascido para tomar conta do «seu povo», de uma forma que agora se espera seja tão ou mais providencialista. É, pois, vergonhoso, para aqueles que se apercebem do sarilho em que estão metidos, saber que foram lá colocados pelos seus semelhantes, raça à qual, agora, ninguém quer pertencer.

Não sendo um neoliberal (que, para muitos, são como que os novos malditos), acredito que há mais ideias a florescer na empobrecida sociedade do que nos novos castelos feudais em que estão transformadas algumas das funções sociais da governação pública e, quando houver um verdadeiro derrame de informação entre as mentes que compõem a massa disforme, as inovações e as soluções (mais ou menos ardilosas) tenderão a aparecer e a disseminar-se pela população em geral.

Martin Luther King, Jr tinha um sonho. Este é o meu.

Tonight

Tempo para ouvir - esta noite - a Sopa de Cavalo Cansado e outros hinos urbanos dos Dead Combo.

quinta-feira, fevereiro 21

SURFING magazine, nos Açores

Por iniciativa da SATA, num esforço promocional do SATA Airlines Azores Pro 2013 e dos Açores enquanto "all year round surf destination", temos entre nós uma das revistas de surf mais lidas do Mundo, de quem se espera uma grande reportagem sobre as potencialidades dos Açores também nesta matéria.

 BEAU FLEMISTER/ANDREW MILLER/ROBIN MOORE/WILLIAM STRUNTZ/

Com o apoio do CNPDL/Ricardo Ribeiro


"Uma Viagem Autonómica"

TRAILER: "A VIAGEM AUTONÓMICA from Ventoencanado on Vimeo.

Google Glass...

Directamente da nossa caixa de comentários

A terceira miséria é esta, a de hoje.

Hélia Correia - escritora mágica, poeta, ficcionista, tradutora, mulher de um mundo melhor do que este, rodeada de gatos e de amor - vence Prémio Correntes d'Escrita - Casino da Póvoa 2013.
 

«A terceira miséria é esta, a de hoje.
A de quem já não ouve nem pergunta.
A de quem não recorda. E, ao contrário
Do orgulhoso Péricles, se torna
Num entre os mais, num entre os que se entregam,
Nos que vão misturar-se como um líquido
Num líquido maior, perdida a forma,
Desfeita em pó a estátua.»

A Terceira Miséria, Relógio D’Água, 2012

quarta-feira, fevereiro 20

Boas notícias

Foto Reporter-X
O vinho açoriano Terrantez do Pico by António Maçanita, 2011, foi eleito um dos melhores vinhos portugueses do ano na gala anual organizada pela Revista de Vinhos.

domingo, fevereiro 17

"life drivers"

Desporto solitário, na terra, vai-que-não-vai. Agora, no mar, tem mesmo que ir.
Por estes dias, dois grandes navegadores solitários "deram à costa", neste belo Santuário no meio do Atlântico: Javier Sansó e Thomas Coville.
Numa altura em que, nesta bola de cristal, nada mais há a descobrir, eles elevam-se da sua condição humana "and, then, they realy push the limits":
Nos Açores, os "presque fou" são mesmo o João Garoupa e o Sabão.

Nada mais democrático do que surfar na grande WWW.
No entanto, notícias como esta fazem qualquer surfista cair da prancha:
Por essas e por outras, mais valia ir (tentar) surfar a grande onda da Nazaré.

Acredito piamente que, pelo menos, a vontade não há de ser nova mas, o desfecho surprendeu até os mais entrincheirados. 
Aposto que todos os "nuntius", que acham que se pode substituir Cristo na Terra, estão a pensar que se também Ele tivesse berrado como um homenzinho, quando o pregaram naquela grande cruz, ninguém agora estranhava. 
E por falar em estranhar, pergunto-me que raio de licença tiveram que tirar aquelas "protestantes" para darem um "show" de "strip" em "Notre Dame"?

Pedro Passos Coelho voltou a esticar a corda e o país arrisca-se a que a "Festa do Avante" seja a única a sobreviver a 2013.
"«Esta política de brutal austeridade leva aos números que são conhecidos no desemprego, ao número de falências de empresas e à situação dramática de reformados e pensionistas, o que é que é preciso mais para que o senhor primeiro-ministro veja que a corda já partiu?», questionou.O secretário-geral comunista disse não compreender as palavras do chefe do Governo: «O que é isso de partir a corda? Partir a corda tem a ver com a vida das pessoas e muitas pessoas hoje não têm futuro e não têm vida, 40% da juventude desempregada? Que corda é essa?»"
Oxalá não seja a do patíbulo.

 "Although this style has always been the standard ‘go to’ look for many fashionistos out there, 2010 was a big comeback for bowties, pocket squares, colorful / patterned socks and suspenders, and it is expected to stick around this 2011. Suggested by collection after collection, ads and many other menswear references from 2010, men are getting more risky in pulling off these dandy accessories. This year, expect men to be more decorative and inventive in putting their accessories together. It will be a whole new different level of letting one’s personality show through".
Com a globalização as pessoas estão cada vez mais iguais. A "décalage temporel" é cada vez menor mas, por cá, falta-nos o charme, ou "l'argent".
Seja como for, "on peut s'amuser".

sexta-feira, fevereiro 15

quinta-feira, fevereiro 14

O povo diz, e eu acredito

Homens sérios são precisos e, não podendo desperdiçar os que há, precisávamos que mais houvesse. Normalmente, os que são não o apregoam aos quatro ventos. São-no e pronto!

Homens sérios não esperam que os reconheçam como tal e, muito metidos lá consigo, vão procurando contagiar outros com o seu elevado sentido de serviço.

Na política, sê-lo é um desafio ainda maior, porquanto, quem o é não está apenas preocupado com o tratamento imediato que é dado às questões. O homem sério está preocupado com o carácter estruturante da sua actuação e, graças à sua rija têmpera, não se detém perante a troça dos vendedores da banha da cobra que tudo prometem.

foto daqui

quarta-feira, fevereiro 13

Portugal, Portugal

Não sei se será só por cá. Não sei se estes tiques são congénitos. O que é certo é o facto dos portugueses terem uma tendência para discutir questões acessórias (não quero desvalorizar a importância do caso para o qual procuramos remeter o(s) visado(s), nem o seu efeito na actual conjuntura), em vez de discutirem aquilo que poderá estar na essência das problemáticas.
A mim preocupa-me, por exemplo, que o PM (ou o seu ME) escolha para SE da Inovação um "jovem" com cara de "velho".

Mas, verdade seja dita. Franquelim Alves era tão empreendedor que começou a trabalhar aos 17 (quando se pensava que tinha 16), como auditor, numa empresa que apenas viria a ser fundada 19 anos mais tarde. `
É muito à frente. E cheira mesmo a "Invovação Criativa".

Fora de brincadeiras, certo é que nada disto ajuda a credebilizar a imagem daqueles que deveriam estar acima de qualquer suspeita. Enfim... Devaneios das pessoas verdadeiramente sérias? Serão?

terça-feira, fevereiro 12

aqui mais ao lado mas, ainda assim, no meio do Atlântico

«República das Letras»

"«Canta, ó deusa, a cólera de Aquiles, o Pelida», começa Catarina Neves, a aluna mais velha da República das Letras, às 8h00. A seguir vem Tomé Gomes, aluno fascinado pela literatura, história e política. «Pesado de vinho! Olhos de cão! Coração de gamo!», recita entusiasmado com as consequências políticas da cólera de Aquiles contra Agamémnon. O entusiasmo foi tal que a certa altura Marta Silva começa a fazer-me sinais frenéticos. Olhei para as linhas e percebi o problema. O aluno estava literalmente no meio da assembleia dos Aqueus a ler a parte dela. Sorri e pensei que não podíamos ter começado de forma mais promissora."

"No dia 8 de Janeiro (2011), às 07h15, um táxi levou-me até ao centro de Angra. «Ler um livro desse tamanho?» Perguntou-me o taxista incrédulo, ao ouvir o meu plano homérico para o dia que nascia. «Nunca gostei de ler. E filmes, têm de ser de acção! Se não houver uns tirinhos, uns carros e umas miúdas, não consigo ver. Nunca li um livro na vida - livra!» Dei por mim a pensar na ironia da situação. O dia da leitura da primeira grande obra da literatura europeia começou com um homem que detestava ler."

No n.º 121, o mais recente da LER, Miguel Monjardino explica-nos que "Aconteceu por acaso no Café Athanásio, em Angra do Heroísmo. A ideia de fazer uma leitura pública da Ilíada apareceu a meio do artigo «Skin or swim», de John O’Connor, publicado no Financial Times. O’Connor escreveu sobre as 25 horas da décima terceira leitura do grande clássico de Herman Melville (Moby-Dick) em New Bedford. Do Financial Times até à Grécia arcaica e clássica foi um pequeno passo. A tradição dos recitais e leituras públicas começou nas cidades gregas com a Ilíada e a Odisseia."




LER disponível na Bertrand do Parque Atlântico e na Livraria SolMar

"OFICINA DE ESCRITA CRIATIVA"

De 25 de Fevereiro a 3 de Março.
Numa inicitiva do Instituto Cultural de Ponta Delgada, que acredita que estas coisas fazem sentido na morada da escrita, precisamente, com Nuno Costa Santos, que é como quem diz, o Melancómico cá de casa.

Tem como público-alvo estudantes, profissionais da área da escrita, romancistas, aspirantes a romancistas e EU, que vivo agarrado a um realismo doente.

Não hesites. Inscreve-te já!

sábado, fevereiro 9

às ilhas, devolver o quê?

Nos dias que passam (a correr, por sinal), são muitas as iniciativas para devolver a auto-estima ao "Povo Português".
Ontem, por cá, na catedral da notícia, irremediavelmente atrasado para as muitas tertúlias que, às várias horas dos dias, por lá iam acontecendo, dei de caras com as prateleiras quase vazias e com revistas como que vindas de um alfarrabista. Para além desta primeira impressão. Muito para além dela, descobri a "MARKETEER".
Era de Janeiro! E trazia um suplemento com o balanço sobre a 4ª conferência organizada por esta revista, intitulada "Como devolver o sorriso a Portugal?". Registei a belíssima intervenção de João Roquette - CEO do Grupo Esporão -, alertando para a necessidade de procurarmos alterar a falta de opinião que o mundo tem em relação a Portugal, «o que é compreensível quando nem nós próprios temos uma opinião sobre o País». Apontou algumas cartas fortes do País, da gastronomia ao calçado, passando pelo sector vitivinícola. «Portugal tem de se assumir como um país pequeno. Não vale a pena jogar o mesmo jogo que os chineses e os indianos. Temos de colocar alma no que fazemos», disse.
Parece que, em Portugal, tudo se resume à economia e às suas relações sistémicas. Mas, Guta Moura Guedes não negou: «Temos uma espécie de tristeza, de saudade… so what? Não é uma mancha. É hiper-romântico. A tristeza é um motor de criação tão forte como a alegria».

E, o que se pode fazer pelas as ilhas(?), pergunto eu.

terça-feira, fevereiro 5

SURF NA "MÓ" DE CIMA

De Vila Franca do Campo "e do Mar" vão chegando as notícias mais incríveis:

«NOTÍCIA DE ÚLTIMA HORA:

A prática do surf na ilha São Miguel está a tornar-se numa autêntica loucura. Depois do record obtido na Nazaré pelo surfista Garrett McNamara, na costa norte da maior ilha açoriana várias donas-de-casa locais tentam bater o espantoso feito do surfista norte-americano, não olhando a meios para o conseguir. Não será de admirar portanto que tal venha a acontecer muito brevemente. Fonte próxima destas destemidas donas-de-casa confidenciou ao nosso jornal que no próximo fim-de-semana, irão fazer nova tentativa para bater o record alcançado, desta feita na Lagoa das Sete Cidades, onde se esperam condições favoráveis à ocorrência de fenómenos meteorológicos extremos.

O grupo-de-donas de casa tem o patrocínio exclusivo da TERRA AZUL - azores whale watching, sedeada em Vila Franca do Campo. O responsável pela empresa salienta os valores associados ao projeto, cujo objetivo principal é estabelecer uma nova ligação entre as Pessoas e a Natureza.

Siga esta fantástica aventura em www.terrazulazores.com»

segunda-feira, fevereiro 4

Conferência

Arquipélago - Centro de Artes Contemporâneas, Ribeira Grande
A Delegação dos Açores da Ordem dos Arquitectos vai levar a cabo hoje, dia 4 de Fevereiro de 2013, pelas 21.30 horas, no Auditório Norte do Complexo de Anfiteatros da Universidade dos Açores em Ponta Delgada uma conferência com o atelier Menos é Mais. A entrada é livre.

sábado, fevereiro 2

E depois? Depois, logo se vê!


A verdade é que foi a sociedade a ensinar-te a falhar.
Muitos, convenientemente, julgam que foi a natureza.

Estou um pouco cansado de procurar dar voz a uma perspectiva diferente para o Turismo dos Açores e não acredito que as pessoas tenham muito mais paciência para escutarem os pontos de vista que, convictamente, vou defendendo para o papel deste sector da economia. Sabemos bem, curiosamente, que uma mentira, por mais repetida que seja, jamais se torna numa verdade. Triste, é constatarmos que uma verdade deixa, facilmente, de o ser, se, por muitos, desconsiderada for.

A verdade é que as coisas não aparecem feitas.
Muitos, contudo, parecem esperar que caiam do céu.

A verdade é que, para conseguirmos ultrapassar as dificuldades, temos que nos empenhar a sério.
Muitos, porém, insistem em ignorá-las.

A verdade é que não temos sabido fazer a diferença, nesta e noutras áreas.
Muitos, não obstante, permanecem indiferentes.

A verdade é que não basta atirar milhões aos problemas.
Muitos, infelizmente, não sabem fazer outra coisa.

A verdade é que todos dizemos que não podemos combater com as mesmas armas destinos turísticos com maior capacidade financeira do que nós.
Muitos, apesar disso, falham em partir para novas abordagens.

A verdade é que o Mundo considera o Turismo como a “Indústria da Paz”.
Muitos, nos Açores, rebaixaram-no à condição de estigma.

A verdade é que a hospitalidade, o profissionalismo e a seriedade são indissociáveis na dinâmica do Turismo.
Muitos, levianamente, julgam poder brincar com tudo aquilo.

A verdade é que sozinho não se consegue fazer a diferença.
Muitos, deslustrados, mo fizeram sentir.

A verdade é que nos estamos a resignar.
Muitos, à toa, parecem aceitar.

 
parece o jogo

sexta-feira, fevereiro 1