segunda-feira, dezembro 22

Does anyone even care?





An why not?!

Neste período, no qual temos dificuldade de ver o caminho por onde queremos caminhar.

As a bad seed, kneel before Him. Seja ele ou ela quem for.



Yes, I still believe. No Amor. E no seu oposto.

E venha mais um. Dele já não nos safamos.

sábado, outubro 11

"Conferências das Furnas"


Bem se poderia dizer que ninguém pára a Delegação Regional dos Açores da Ordem dos Economistas. Ela tem sido Almoços conferências, Debates e Conferências. Aqui e ali, um pouco por todas as ilhas deste oceânico arquipélago.

A discussão está instalada. Não há ninguém que possa dizer que não vale a pena e os temas abordados têm sido dos mais interessantes e importantes para a economia dos Açores.

Com uma afluência muito considerável, os oradores brindaram a plateia com intervenções muito relevantes para a necessária reflexão, que tem que acontecer em torno dos caminhos que a economia pode tomar para se desenvolver nos Açores.

Deliciados, todos viram como seria desejável e importante termos menos Estado na economia, tenha ela a dimensão que tiver. É que nem mesmo os mais recalcitrantes costumeiros ficariam indiferentes à inquietude deste espírito açoriano, influenciado pelo pragmatismo do Federal Reserve Bank.

Ainda preocupados com as subidas em flecha das dívidas públicas um pouco por toda a Europa, percebemos que esta está metida num grande sarilho e que, afinal, sempre é verdade: “a cultura come a estratégia” e, no caso da europa (não me agrada dizê-lo), as muitas e heterogéneas culturas comem a unificadora estratégia de todos os europeístas envolvidos na criação desta grande manta de retalhos.
 
Gazelas. Muitas gazelas, é o que me apetece pedir ao Pai Natal, para o início de mais um ano económico nos Açores, que não tarda a começar.

É claro que as desejadas gazelas teriam que ter muito cuidado, para não se tornarem presas fáceis de uma excessiva proximidade que caracteriza as relações entre empresas e entre as empresas e a coisa pública, para que se possam tornar instituições e vingarem perante o efeito predador do passar dos anos.


Parabéns à Delegação Regional dos Açores da Ordem dos Economistas por estar a marcar a agenda nos Açores.

sexta-feira, outubro 3

Clã - Eu Ninguém





Casos raros de metamorfose que nos vão acontecendo “de longe a longe”, nem sempre implicam que nos prestemos a sentir como Gregor Samsa, na obra maior de Franz Kafka.
Enfim, poder ser “Travesti” de quem se quiser, parece-me um mote interessante para quem faz um grande esforço para viver, com a maior intensidade, a vida que tem, sem contudo comprometer a essência do Ser que porventura formos, antes, agora e depois.
Somos pessoas. É verdade. Sentimos!
Pessoas que constroem relações, criando também as suas próprias estórias que, podendo ou não um dia virem a ser rezadas pela história de nós todos, farão as delícias de quem por nós se interessar. E isto nada mais deve ser do que senão o absolutamente essencial para fazermos a nossa caminhada.
Importante é ainda não esquecermos que, mesmo que algumas vezes possamos não dar o devido valor, estamos todos em trânsito. Alguns, num circuito mais ou menos fechado como num tabuleiro do monopólio, inquietos por voltarem a passar pela casa de partida, e outros, sacudindo o bafio, entregam-se ao imprevisibilíssimo destino das aventuras que escolhem, num insondável amarelo cerebral.
Seja como for, certa é a necessidade de valorizar o caminho. É nele que a vida se perde ou se ganha!

segunda-feira, setembro 29

As Primárias do PS

I - O dia de primárias no PS foi, no essencial, uma vitória para o partido. A adesão em massa dos eleitores, a tranquilidade dos procedimentos e a expressividade dos resultados é disto prova inequívoca. A Comissão Eleitoral está de parabéns, tendo sido capaz de montar e acompanhar um processo complexo e a uma escala totalmente inovadora para um partido político com a dimensão do PS, correndo contra as adversidades que um calendário curto e a decisão improvisada de convocar este modelo eleitoral lhe colocava.

II – Costa teve uma vitória estrondosa e acaba por ter de agradecer à estratégia de Seguro, por lhe ter conferido uma legitimidade além das fronteiras do PS. Uma diferença de 70% (Costa) contra 30% (Seguro) é uma abada eleitoral em toda a linha. Embora continue a entender que as primárias representam uma irreversível desvalorização da militância, que ocorre à margem dos Estatutos e com reflexos inevitáveis no esbatimento ideológico do partido, o certo é que a estratégia de Seguro lhe saiu completamente furada e que Costa tem hoje uma legitimidade muito mais forte do que a que resultaria de um simples congresso extraordinário.

III – Apesar disto, temos de reconhecer que Seguro teve uma saída limpa. Admitiu a derrota, demitiu-se de Secretário-geral do PS, cumpriu a palavra dada e fica apenas como militante de base. Em democracia, tão importante como ganhar ou perder, é saber tirar as devidas consequências das derrotas e das vitórias. A clareza política não se compadece com “desculpas” e, de facto, Seguro, depois de ter exposto o PS da forma como expôs e durante tanto tempo, não tinha outra saída digna. Saiu como deve de ser.

IV – Porém, é um facto que emergem cicatrizes inquestionáveis destes últimos quatro meses. Apesar dos resultados de Costa e da saída irrepreensível de Seguro, não há como não reconhecer que a unidade e coesão do partido ficou tremendamente abalada com todo este processo, a sua delonga e a forma como ambas as candidaturas conduziram a campanha e os diversos debates televisivos. António Costa tem um ano para refazer a unidade no PS e terá ainda de concentrar-se no programa eleitoral, sem poder descurar-se de nenhuma. 

V - O maior derrotado da noite é o Governo de Passos Coelho e Paulo Portas. Depois de desejarem à força toda o oponente eleitoralmente mais frágil, eis que não só lhes sai o candidato mais forte como, ainda por cima, vem revestido de uma prévia legitimidade extra-partidária, com expressivos resultados e com renovada energia. É caso para dizer, de facto, como disse António Costa, " este é o primeiro dia do fim deste Governo".

VI - Cá pelas nossas bandas, não há dúvida que esta é também uma vitória para Carlos César. Depois de ter sido designado mandatário nacional da campanha de Costa nas primárias; sendo amigo e parceiro de combate desde os tempos da JS; sendo quem, no Congresso do PS-Açores, lançou pela primeira vez o nome de Costa para a calha da liderança do PS; e com os resultados que obteve na federação de que é presidente honorário (87%, é obra), é natural agora que se transforme numa relevante peça no xadrez político nacional. Carlos César deixa, assim, Vasco Cordeiro definitivamente liberto da figura tutelar. Para Vasco esta é a derradeira oportunidade de cortar o natural cordão umbilical que lhe une ao histórico líder do PS-Açores. Na psicanálise política, para que as rupturas aconteçam, não basta que os protagonistas o desejem. Na natureza como na política, as rupturas só acontecem quando o ambiente lhes é propício. Este é o momento.

domingo, setembro 28

ao viés


Para Breyten Breytenbach, intelectual sul-africano (um dos maiores, dizem), entrevistado por Clara Ferreira Alves (Atual nº 2185|Expresso 13 Setembro 2014), “vivemos numa nova configuração tribal”. E “uma das piores tribos é a dos turistas. Matam tudo. (…) Os turistas são uma massa sólida pior do que o terrorismo, de certo modo”.
Ler esta fecunda e provocatória afirmação categórica, foi como ter sido atingido nos queixos por um forte uppercut (de esquerda, claro), resultando numa tal sensação de desnorte à qual se juntou a de náusea, provocada pela visão emproada e preconceituosa da claramente-intelectual-também interlocutora, lançada sobre a classe média, supostamente carregada de “mediania, indiferença estética. Mau gosto. Tédio”, como numa espécie de tentativa de extrapolação do raciocínio(?) do entrevistado.
Há coisas que nos deixam abananados, verdadeiramente perplexos, quando vêm de supostos vultos (seja lá o que isso for). Eu, que estava absolutamente crente nos testemunhos provenientes da O.M.T. e que se referem ao Turismo como a “Indústria da Paz” e uma das mais importantes para a preservação da memória colectiva das civilizações, tenho que dar a mão à palmatória: depois de alguns anos passados, a malta já se esqueceu das guerras mundiais e da silenciosa-mas-vibrante guerra fria, que fizeram com que todos quantos com elas sofreram aspirassem a uma nova ordem social mundial.
Ok! É verdade que a deliciosa aspiração depressa se tornou em algo talvez demasiado global e indiferenciado para qualquer intelectual que defenda acerrimamente a causa que o alimenta, ainda que, em alguns casos, o faça com um discurso de surdos. Não é, por isso, de estranhar que os aludidos possam dar-se ao luxo de assim falar, até porque, aparentemente, aquela “massa sólida pior do que o terrorismo” vem da “classe média, pilar dos regimes e da estabilidade”. Nada pior, para os intelectuais que querem continuar a poder fazer-se ouvir.
Não me sai da cabeça que, agora, talvez tenhamos que condescender alguns ataques terroristas, perpetrados contra turistas nos sítios do costume. Pelo menos os mais levezinhos, talvez. Mas o meu pior e verdadeiro receio é poder vir a ser obrigado a ter que compreender, verdadeiramente, as palavras destas duas alminhas que se podem ter perdido pelo mundo.


foto daqui




quarta-feira, setembro 24

Qual é o próximo?

O que importa é que tentaram. Não vale a pena andarmos à procura das razões para o encerramento do Ateneu Criativo, elas são por demais conhecidas. Os parabéns pelo esforço e persistência. Agora é tempo de pensar o próximo projecto!

domingo, setembro 14

Excelência, Sim. Mas não nos acomodemos!

Para os mais atrevidos, "A EXCELÊNCIA" poderá ser vista como o anti-herói das grande empreitadas que ainda esperam a humanidade. No entanto, se pensarmos como K. Sriram

"Excellence can be obtained if you:
... care more than others think is wise;
... risk more than others think is safe;
... dream more than others think is practical;
... expect more than others think is possible."

Conseguiríamos ser bastante melhores naquilo que fazemos e tudo seria bem diferente.

Entre outras coisas, não deixem, por isso, de ler o artigo de Ávaro Dâmaso no AO

segunda-feira, agosto 4

O canto da sereia neoliberal

Passei toda a minha vida a ouvir os sacerdotes do neo-liberalismo com a história de que "Estado é mau gestor por natureza" e que "os privados é que são bons". Pois o caso BES/GES, se dúvidas houvesse, vem provar à exaustão que isto não é assim nem por natureza, nem por princípio.

Fartavam-se os mesmos fanáticos de falar nas vantagens da privatização da Segurança Social. Pois nem quero imaginar as insónias que passaria um pensionista nas últimas semanas se a sua pensão estivesse a cargo de um qualquer fundo gerido pelo BES. Aliás, imagino o alívio dos pensionistas do Fundo de Pensões do BES por entretanto ter passado para a Segurança Social...

E os mesmos iluminados fartavam-se de sugerir a privatização da Caixa Geral de Depósitos, ávidos de abocanhar mais uns quantos milhões, com o argumento de que a Banca era coisa para estar exclusivamente nas mãos de privados. Pois bastou o BPN para irem todos “pedir pelas almas” para que o Estado os acudisse dos perigos da propalada “crise sistémica”. E julgámos todos que o gangsterismo bancário estava limitado aos "banqueiros" arrivistas e aventureiros, do tipo BPN e BPP, que se aproveitaram do laxismo trazido pelo thatcherismo nos anos 80 e do favoritismo político que as ligações partidárias permitiram; afinal, o caso BES/BESI mostra que a falta de escrúpulos atinge o círculo dos banqueiros de mais elevado pedigree e que as regras do jogo parecem ser aquelas. E lá ficou o contribuinte com o preço dos mandos e desmandos do BPN, como – provavelmente – acontecerá no fim das contas do processo BES.

São uns queridos…. uns fofos esta direita radical e estes banqueiros nacionais.

É certo que a coisa pública esteve longe de ser um exemplo de boa gestão todos estes anos nas mãos de quem esteve. É um facto. Mas para vermos "bons gestores privados" e as “virtudes da boa gestão privada” já nos bastam os exemplos que temos tido e preço que temos pago.

segunda-feira, junho 9

A utopia do Espírito Santo

Ao Sr. Amaro Matos que me acolheu em Sto. Amaro do Pico,
em dia de Espírito Santo.
Aqui a fraternidade dá esperança na Humanidade.
Vim a Sto. Amaro do Pico, a convite de Amigos, às festas do Espírito Santo. Houve crianças coroadas, houve sopas, houve festa e voltou a mim o bom e velho Agostinho da Silva.
Com fundações claras nas teses do teólogo místico Joaquim de Fiore, Agostinho da Silva constrói uma utopia já não mística mas eminentemente ideológica.
Fiore acreditava que a História se resumia a três tempos. O primeiro tempo era a Idade do Pai, do Deus barbudo e velho do antigo Testamento, cheio de relâmpagos e trovões, do “olho por olho, dente por dente”, de Quem a minha avó dizia ter medo que fosse Ele a abrir-lhe as portas do céu quando morresse... Depois veio o tempo do meio, a Idade do Filho, o nosso tempo, um tempo em que os Homens precisam de uma lei, de Governos, de trabalhar e de subsistir… à espera do paraíso, lá longe, no outro mundo. Na Idade do Espírito Santo, o terceiro tempo, os Homens irão construir o Paraíso na Terra, a Terra funde-se com o céu e não mais se saberá do ontem, do hoje ou do amanhã.   
Agostinho da Silva quer que a mística de Fiore possa ser transmutada para solução política: que o mundo possa ser construído como um projecto da humanidade em três tempos.
A prática religiosa e cultual do Espírito Santo nas ilhas dos Açores (e também no Brasil), e – mais do que ela – os fundamentos a ela implícitos, servem de substancia aglutinadora do seu pensamento. É, pois, assim que procura nas raízes profundas da nossa tradição três símbolos essenciais para evidenciar a sua ideologia sócio-política: Primeiro, a criança coroada, o menino imperador do mundo, o governo das crianças, como alusão a uma troca de valores metafísicos e ontológicos, cujas consequências em cadeia destronam a tradicional hierarquização dos saberes e dos poderes; Segundo, o prisioneiro liberto, como alegoria da libertação de todos os velhos cânones, das leis, dos Estados, das fronteiras… a assimilação completa do grande destino humano: a liberdade. Terceiro, o bodo, a fraternidade universal e plena, a partilha, a paz, a humanidade cônscia do bem no comum.
A utopia de Agostinho da Silva é muito bonita e paira sobre arquétipos da nossa História, buscando a universalidade no ecumenismo latente do paráclito, como única solução teleológica (e não teológica) de um futuro de paz, de fraternidade e de liberdade. 
Mas isto também nos dá uma espécie de grande tarefa: criar um mundo feliz para gozo dos Homens. Um mundo onde nos apeteça viver. Não vale a pena ter países, estados, regiões, leis e instituições se não for para isto.
Não nos podemos contentar em continuar apenas a colocar coroas na cabeça de meninos. Temos de evitar que crianças sejam maltratados como são, abandonados como são, vítimas de exploração como são… para que possam ser realmente imperadores do mundo quando vier esta futura Idade do Espírito Santo.
Não nos podemos contentar em dar um banquete a toda a gente de vez em quando. Temos é de fazer com que toda a gente coma realmente e todos os dias, tenha saúde, tenha educação e protecção na velhice.
Não vamos andar a libertar presos para que andem à solta um dia por ano. Mas temos de cuidar da liberdade como o único caminho de realização plena do ser humano.
Esta é a minha teimosa utopia... E a culpa, pelos vistos, é do Espírito Santo.


Santo Amaro do Pico, a 8 de Junho de 2014 

quinta-feira, junho 5

DA PAIXÃO

“li algures que os gregos antigos não escreviam necrológios,
quando alguém morria perguntavam apenas:
tinha paixão?”

Herberto Helder, A Faca Não Corta o Fogo, 2008

segunda-feira, junho 2

E AINDA SE QUEIXAM…

Na passada sexta-feira o Governo voltou a ver o Orçamento do Estado declarado inconstitucional.
Isto significa que este Governo ainda não fez nenhum Orçamento do Estado que não violasse a Constituição. Pior: tendo em conta que o TC fez sempre aproveitar os efeitos das inconstitucionalidades já produzidas, e que só decidiu a meio do ano das questões levantadas em sede de fiscalização sucessiva, temos que o país esteve sem Constituição em metade de todo o mandato deste Governo. Dito de outro modo, em metade do tempo que a TROIKA esteve no país, Portugal esteve sem Constituição.
Mas não satisfeito em se comportar como um delinquente reincidente, não satisfeito em ter conseguido aplicar normas inconstitucionais em metade de toda a execução dos seus orçamentos, este Governo ainda se dá ao desfrute de se queixar do Tribunal Constitucional…
Alevá...

quarta-feira, maio 7

Memórias


Nova edição da revista de bordo da SATA. Destaco sem hesitações a rubrica Memórias pelo prazer da escrita do Carlos Riley, um ex-:ILHAS e um amigo.

sexta-feira, abril 25

É a Liberdade, estúpido. A flor da temporada.

Todos querem celebrar o 25 de Abril mas, aparentemente, nem todos com a mesma intensidade e, sobretudo, não na mesma direcção.
A cada ano que passa e nos distancia desta importante data (mais para uns do que para outros), somos obrigados a fazer a mesma reflexão sobre a liberdade. Todos os anos nos sentimos obrigados (e se não, outros nos obrigam) a reflectir sobre a determinação e coragem dos ditos “Capitães de Abril” e a procurar, metafisicamente, a consequência que da revolução dos cravos, hoje, já não se retira.
Sou, também, face aos últimos acontecimentos protagonizados tanto pelo parlamento como pela Associação 25 de Abril, obrigado a acreditar que quanto mais longe estivermos e quanto menos forem os intervenientes presentes, melhor será esta importante celebração. Este facto (que para alguns será um sapo difícil de engolir) todos os anos se manifesta de forma absolutamente inusitada e que serve para dar palco às referidas figuras, absortas nas suas conquistas e a procurarem servir-se deste dia para que todos os dias sejam… o quê? 25 de Abril de 74? Quantas vezes? E para quê? Para que o poder não volte a cair na rua - pretexto utilizado para, em 74, entregar o poder ao então General Spínola que, curiosamente, entre outras obras, publica “Portugal e o Futuro” em 74 e “País sem Rumo” em 1978?
Não sou muito religioso e agradeço pouco a Deus (o que para muitos pode ser considerado uma heresia imperdoável) mas, todos os anos, a cada 25 de Abril, e cada vez com mais intensidade, agradeço a todos aqueles que ajudaram à Proclamação da República Portuguesa, transformando, então, indelevelmente a nossa realidade política e, por conseguinte, tornando possível o resto do nosso percurso de autodeterminação. Com altos e baixos, é verdade mas, a vida tem dessas coisas.
Acredito que os “Militares de Abril” e todos os que em seu torno gravitam (tal como a FLA nos Açores) teriam que se reestruturar (refundar, talvez) para conseguirem desempenhar um papel com a mesma substância doutrora, num contexto geopolítico completamente diferente, no qual, para desventura dos mesmos, os problemas económicos que comprometem cada vez mais seriamente o “Estado Social” e condicionam a “Liberdade de Expressão”, por sermos cada vez mais escravos do dinheiro, são, eventualmente, o denominador comum na história de uma democracia, afinal, estéril.
Infelizmente, esta lateralidade, considerada por muitas e pesadas figuras de 74 como necessária e verdadeira (palavras cada vez mais afiadas nas bocas conspurcadas), menoriza a essência da revolução, fazendo dela uma arma de arremesso contra o poder instituído – seja ele qual for – e uma coisa pequenina do Largo do Carmo, em Lisboa.
Pode ser que, para as celebrações do próximo ano, D. Sebastião regresse a tempo de por ordem na casa.
Viva a Revolução! Viva Portugal, este país de tanta vontade contrastante mas, cheio de tão grande e jeitosa resignação.


sábado, abril 19

A paz não NOS cai bem!





Era eu pequenino e queria ser grande para poder tratar das coisas que os homens grandes guardavam só para si.
Havia um certo mistério em tudo o que os grandes faziam. Eram grandes feitos. Coisas importantes. Estratégias consertadas com outros grandes vultos.
E eu, pequenino, sonhava ser grande e, com grande emoção, buscava ter o que julgava não ser, tal era a importância daquilo sobre o qual os homens grandes se orgulhavam nas suas ainda maiores conversas.
Hoje, todos os pequeninos do meu tempo de pequenino são já homens grandes e eu, amadurecido, atónito vivo porque ser grande é, afinal, nada daquilo que eu sonhei poder ser.
É verdade que esta vida de gente grande nos deixa pouco tempo para pensar sobre o que estamos realmente a fazer. É verdade também que, agora que somos grandes, não temos tempo para coisas de rapazes. Estamos, pois, preocupados com as coisas ditas de governo, por tão importantes serem as questões do poder.
Não são poucas as vezes que eu me arrependo de me ter tornado num homem grande. Contudo, como não posso, nem quero, voltar a ser pequenino - a mim, nenhum homem grande me apanha a querer ser como ele outra vez -, vou-me alienando de uma indeterminada-mas-determinante maneira de acontecer.
Diz-se que a “Globalização” veio tornar o Mundo mais pequeno. Se, por um lado, tal possa ser entendido como uma verdade fácil de aceitar por ter contribuído para aproximar as pessoas, os seus hábitos e critérios, por outro, é uma insana visão, pois, a “Globalização” tem contribuído – em larga escala – para que a nossa ideia de Mundo seja, hoje, imensamente maior.
Com a “Globalização”, caso curioso para esta pequenina reflexão, os homens grandes dos Açores passam o tempo todo a querer ser como os homens grandes que passaram a conhecer, na Europa, por exemplo. Se isto me deixa empolgado sobre o enorme potencial de evolução que tal postura representa para nós, fico com sérias dúvidas sobre a possibilidade de o sabermos aproveitar porque, no Turismo, hoje, vejo homens grandes a mostrarem aos agentes do sector (e a todos os interessados nestes assuntos) os bons exemplos da Madeira quando, num passado não muito distante, alguém discursava calorosamente sobre a nossa determinante recusa em cometermos os mesmos “erros” daquele arquipélago e que o nosso atraso relativo nos iria ajudar a afirmarmo-nos como um destino de qualidade (seja lá o que isso for).
Não me atrevo a perguntar o que se terá passado para uma mudança tão rápida de paradigma (tanto que estes bons exemplos agora dados já existiam na altura dos discursos inflamados), nem ouso questionar se é assunto relacionado com a umbilical força dos costumeiros envolvidos na edificante estratégia turística arquipelágica mas, não querendo ser mais um destes homens grandes, só nos resta esperar encontrar alguma pista nesta nova música deste pequenino clã.

segunda-feira, abril 7

Bastou decisão do Tribunal de Contas.

É o primeiro caso de devolução das verbas das senhas de presença da Associação de Municípios da Ilha de São Miguel, consideradas ilegais pelo Tribunal de Contas. Antigo vereador da Câmara Municipal da Lagoa devolveu, em cheque, a quantia recebida. Exemplo vem da Lagoa. Não é que importe muito mas, fico sensibilizado e manifesto a minha satisfação.

sexta-feira, março 7

segunda-feira, março 3

Genialidade Açoriana

Os Açores estão na moda. Diz-se nos "métiers du tourisme".

Mas, aparentemente, a verdade é outra.  É que, para além disso, numa certa lógica de integração num Mundo que transcende em muito os nossos limites costeiros, os ilhéus empresariais parecem seguir as pegadas dos ilhéus poetas e destacam-se perante o todo nacional.

Há já alguns dias, a notícia do Prémio Agricultura 2013 ter sido ganho pela FINANÇOR - Agro Alimentar, facto que enche de orgulho todos aqueles que sentem prazer com as vitórias dos seus.

Agora, a CYBERMAP na capa da EXAME (revista que, na minha adolescência, devorei mensalmente à procura dos exemplos a seguir), apresentando-se como a 43ª melhor empresa para se trabalhar em Portugal.

E se a surpresa acabasse por aqui, só me restava endereçar os meus parabéns ao Luís Melo e a toda a sua equipa. No entanto, ao follhear com interesse a revista para ver quem lhe ficou atrás, descubro um incontornável da restauração de Ponta Delgada em 65º lugar na mesma lista: o RESTAURANTE ALCIDES.

Voltando a parabenizar, agora o Pedro Melo - gerente do carismático empreendimento que também oferece um hotel -, ocorre-me agradecer a Alcides Cabral de Melo - pai de tão promissores jovens gestores -,o espírito com que os contagiou e desejar que outros exemplos da nossa genialidade se possam seguir.

terça-feira, fevereiro 25

Maça de Darwin, macaco de Newton

Obras de dois artistas portugueses adquiridas pelo Museu Rainha Sofia na ARCO/Madrid Três obras da dupla João Maria Gusmão e Pedro Paiva, da galeria Graça Brandão, em Lisboa, fazem parte do grupo de obras de sete artistas, que o Museu Rainha Sofia adquiriu na ARCO, Feira Internacional de Arte Contemporânea de Madrid. De acordo com a informação do museu da capital espanhola, as aquisições dizem respeito a um total de 17 peças, no valor global de 204.625 euros. Entre as obras adquiridas, há desenhos, fotografias, objetos, diapositivos e filmes, informa o museu. Cada uma das três obras da dupla portuguesa, escolhidas pelo museu - os filmes «Maça de Darwin, macaco de Newton» (2012), «Três sóis» (2009) e «Eclipse Ocular» (2007) -, é composta por «internegativos», «interpositivos» e duas cópias de exposição. «Três sóis» fizeram parte da representação oficial portuguesa na 53.ª Bienal de Veneza, em 2009, «Eclipse Ocular» foi apresentado na Tate Gallery, em Londres, em 2010, e «Maçã de Darwin, macaco de Newton», que aborda a identidade e cultura micaelense, em filme e fotografia, esteve patente na Galeria Fonseca Macedo, em Ponta Delgada, em 2013.
Os parabéns à Fátima Mota e à galeria que dirige.

domingo, janeiro 19

25 Places You Have To See Before You Die

Ao contrário de muitos milhões de habitantes no Mundo, bem posso dizer que me faltam apenas 24 sítios para ver antes de morrer.

sábado, janeiro 4

história de um "briefing"

Já sei que muitos verão nesta partilha mais um deliberado acto de pub institucional. A minha esperança reside naqueles que identificarem a profundidade do ser, num momento de grande reconciliação.

"11 horas. Reunidos em frente ao balcão da recepção, que agora ganha outra centralidade, estávamos todos: a equipa técnica responsável pela obra e a equipa nuclear do hotel que, com quase 80 anos de operação ininterrupta, voltava a nascer. O hotel era-nos devolvido após 7 meses de obra, da qual resultou uma remodelação profunda, originando o desejado reposicionamento. O calendário marcava o dia 1 de Junho de 2013.

No círculo, naturalmente criado, as emoções eram fortes. Parecíamos os “Cavaleiros da Távola Redonda”. À minha frente, João Mota Vieira, engenheiro responsável pela fiscalização da obra, ladeado pelos engenheiros Isabel Cordeiro e José Mendonça. Comigo, a Fátima, subdirectora; a Alice, chefe de recepção; a Goreti, nossa governanta; o António, chefe de bar; o Fernando, jardineiro chefe; o João, maître d’hotel; o chef Luís; o Luís, encarregado de manutenção e o Vítor, responsável pelo economato.

Apesar de exaustos pelo contributo que cada um foi chamado a dar para equipar o hotel na fase final da obra, a felicidade estampava-se nos nossos rostos, como se fossemos crianças deslumbradas com o seu brinquedo novo.

Na nossa memória, fresca como as ervas aromáticas do Parque Terra Nostra incorporadas nos nossos cozinhados e com que agora fazemos as nossas próprias infusões e outras bebidas refrescantes, a lembrança dos dias passados a afinar o conceito com os projectistas, as acesas discussões sobre as tendências a serem observadas na necessária reformulação da nossa proposta de valor e a identificação da “Tradição e Charme do Hotel Terra Nostra”, do “Parque Terra Nostra” e da “Sustentabilidade” como os pilares que a haviam de suportar.

Víamos, nos olhos uns dos outros, para além das lágrimas, a satisfação de quem ajudou a formular os grandes objectivos para a operação do renovado Terra Nostra e lembrei-me do inédito workshop que organizamos com todos os colaboradores, no dia 29 de Abril, do qual saíram doze compromissos que todos têm escrupulosamente honrado no seu dia-a-dia. Lembro-me que a alegria era imensa. Todos juntos pela primeira e última vez, já que tal cenário seria irrepetível, pensavam todos. Mas a alegria veio a repetir-se apenas 15 dias após a reabertura do hotel. Juntamo-nos todos novamente, para a “foto de família” e para revermos rapidamente algumas fotografias das obras, com o intuito de nos apropriarmos do nosso novo hotel.

Para a “foto de família” tínhamos como referência a fotografia da primeira equipa do hotel mas, tínhamos também um grande problema: como libertar todos os funcionários dos seus afazeres com um hotel cheio? Ocorreu-me escrever uma carta a todos os hóspedes, informando da cerimónia e confessando o nosso propósito: Queríamos honrar o passado e receber o futuro de braços abertos! Assim, informados que o hotel funcionaria apenas com os serviços mínimos assegurados por colegas de outros hotéis do grupo e convidados a assistirem a tão importante momento para nós, os hóspedes afluíram em massa e tudo parou nas Furnas. Eram mesmo muitas as pessoas que acorreram das imediações para verem a produção da foto e a rua encheu-se de carros. Uma imagem que guardaremos, para sempre, nos nossos corações.

As mãos, trémulas da comoção, começaram por receber as plantas de pormenor do hotel e, depois, as chaves das instalações dos respectivos sectores que comandavam. Cada um de nós saía do casulo ao qual se havia remetido durante o período da obra e retomava a sua condição de “Maestro” na difícil mas gratificante tarefa de desenhar atmosferas e experiências inesquecíveis para fazer com que os nossos hóspedes desejem voltar.

Hoje, a dar largas à reconhecida hospitalidade açoriana e movida pela paixão de criar momentos perfeitos, a nossa equipa manifesta a imensa vontade de receber todos aqueles que apreciam o bom gosto arquitectónico, a boa cozinha e o “SPA ao natural” que é o Parque Terra Nostra (considerado pela “Condé Nast Traveler Magazine” como um dos dez retiros verdes mais bonitos do mundo), com o seu famoso tanque de águas termais e a sua luxuriante vegetação.

Dizem, os que já cá ficaram, que a nossa equipa tem espelhado no rosto o orgulho de pertencer a tão interessante projecto hoteleiro. Eu, por outro lado, vejo na atitude de cada um de nós a gratidão para com todos aqueles que, do ponto de vista operacional, nos ajudaram a promover a mudança: o Pierre, a Dalila, a Ana Paula, a Teresa, o José e o Tiago da “Eurogroup Consulting”, que nos ajudaram a formular e a exteriorizar a “postura do colaborador TN” (formal e calorosa), focando-se determinantemente nos clientes e nas suas expectativas; a Conceição Castelo que nos ajudou a reformatar a nossa operação de housekeeping; o Manuel Moreira que promoveu a elevação do serviço de vinhos no restaurante; o Luís Domingos e o Dave Palethorpe da “Black Pepper & Basil”, que revolucionaram a nossa proposta de Bar e, por fim, o Daniel Frey da “Green Growth” que, falando a mesma linguagem, me havia ajudado a sistematizar toda a conceptualização.

Guardamo-los a todos no coração e todos os outros que tornaram este sonho realidade: a família Bensaude, a Administração do Grupo (com uma palavra especial para a Dr.ª Marta Sousa Pires que coordenou todo o projecto) e respectiva hierarquia, toda a equipa técnica (projectistas; empreiteiro e subempreiteiros), os colegas da direcção de recursos humanos, do departamento de Marketing, do departamento de comunicação e do departamento de contabilidade e controlo de gestão, todos os fornecedores de equipamentos, a Escola de Formação Turística e Hoteleira e mais alguém que esteja eventualmente a esquecer e a quem peço o favor de me perdoar.

Escusado será dizer que, desde então, o nosso briefing diário faz-se às 11 horas e todos os dias trabalhamos para aliar a magia da nossa natureza ao charme e tradição do Hotel Terra Nostra para alimentar a alma e acordar o corpo dos nossos hóspedes, não havendo dia que não me lembre daquele 1 de Junho de 2013 e do nosso primeiro briefing, no renovado Terra Nostra."

texto publicado aqui